"É preciso que as diferenças deslizem umas sobre as outras, para que as essências se misturem..."
Tacarijú
Como se sabe, os paradigmas orientadores das pesquisas em ciências da natureza diferem daqueles relacionados às ciências humanas. Nas primeiras, as hipóteses a serem pesquisadas direcionam-se para explicações matemáticas e previsões estatísticas, enquanto, nas últimas, abrigam-se em interpretações da realidade observada. Interpretações que deslizam sobre as lacunas da linguagem, desembocando em descrições e fundamentações, muitas vezes, contraditórias, dependendo do discurso do pesquisador.
Tal fato, em dado momento, distanciou alma e matéria, inventando um dualismo preocupante, cindindo a realidade em duas faces antagônicas. A ciência da matéria parecia ser a real, na medida em que o objeto de estudo seria descrito com segurança, enquanto, a da alma, da cultura, tendia para o absurdo acientífico, com observações alicerçadas em diferentes verdades, em diferentes imanências. Na alma, na cultura, nada poderia ser estudado com segurança, na medida em que tais imanências eram tratadas como transcendências a se excluirem mutuamente. Talvez este seja um resumo do que se passou nos séculos XVII, XIX e XX com o pensamento Ocidental.
Contudo, algumas surpresas estariam guardadas para o pensamento materialista a excluir a alma de suas observações, bem como para os pensadores da cultura, que fantasiavam “verdades” em seus discursos, numa tentativa infrutífera de “imitar” as explicações das ciências da natureza. A última metade do século XX presenteou-nos com a confirmação das palavras de alguns filósofos, que “afirmavam não poder afirmar”. Neles, a Filosofia não alcançava os fenômenos naturais, ou culturais, apenas recobrindo-os parcialmente, deixando amplo espaço para interpretações, dependendo dos princípios, dos paradigmas, adotados pelo observador.
Entre nós, no início da década de 90, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) publicou, em sua revista Ciência Hoje, um resumo sobre a Teoria do Caos. Naquela época, o assunto estava começando em importância, em função do avanço tecnológico, em especial de softwares e hardwares, e da possibilidade de se comprovar esta teoria.
De fato, hoje, em 2010, sabe-se que o Caos, tal como foi descrito, inicialmente, há 40 anos, pelo matemático Lorenz, é uma realidade científica. Portanto, existe algo incerto além de toda razão filosófica, que, no passado do século XX, apenas, tateava por sobre o tangível imprevizível. Se a realidade se move sem que, com a limitação de nossas representações, possamos descrever sua trajetória, onde estaria, então, a verdade sobre o futuro?
O pensamento analítico, que nos apresentou a filosofia, a ciência e a tecnologia, fracassou diante do dinamismo do real revelado por elas. Este paradoxo nos levou a pensar de modo um tanto diferente daquele dito científico neste passado recente, isto é, pensar de forma sistêmica, que, algumas vezes, também é chamado de pensamento complexo, não complicado, como discursam os filósofos contemporâneos. Curiosamente, tal pensamento reconhece uma lógica interna, uma ordem, nos sstemas ditos caóticos, embora tal racionalidade seja intransferível entre sistemas caóticos.
Como se sabe, um conjunto de objetos, que se inter-relacionem, é chamado de sistema. Nele, analiticamente falando, a estrutura não seria apenas a distribuição espacial de seus elementos, mas o modo de relação existente entre eles. Portanto, seria uma leitura diferente da analítica, que pretende entender o conjunto a partir do estudo de cada elemento da estrutura, reunindo-os a seguir num todo racional. Esta última, tem uma visão mais estática da realidade, enquanto a primeira a percebe em seu dinamismo, sem desconsiderar a natureza dos elementos do sistema e dele próprio.
O pensamento sistêmico descreve a realidade, na medida em que a percebe e a representa em seu dinamismo, nela reconhecendo sistemas lineares e não-lineares.
Desde sempre, o imprevizível esteve diante dos humanos. Contudo, a ciência e a tecnologia resumiam-se a observar e medir, newtoniamente, os sistemas lineares, nos quais a intensidade do efeito seria proporcional à intesidade da causa pertubadora de seu “descanso”, permitindo à ciência visualizar um futuro previzível, mesmo que probabilístico. Assim sendo, o pensamento analítico poderia ser aplicado em tais sistemas, tal como ocorreu na Astronomia até 1980.
Diferentemente, nos sistemas não-lineares, a intensidade do efeito não é, necessariamente, proporcional à intensidade da causa perturbadora de seu “descanso”. Não havendo proporcionalidade entre a causa e o efeito, a trajetória do conjunto torna-se mais e mais imprevizível, na medida em que se afasta do ponto de origem da perturbação em seu “descanso”. Em outras palavras, o grau de previzibilidade da trajetória do sistema vai diminuindo, na medida em que o conjunto “viaja” no tempo
O que se pretende dizer é que a Teoria do Caos estuda o comportamento aleatório e imprevisível dos sistemas dinâmicos não lineares, sendo útil para evidenciar realidades, nas quais ocorrem irregularidades na aparente uniformidade da natureza. Repetindo, são irregularidades representadas por pequenas alterações introduzidas num sistema, as quais, aparentemente, não se relacionam com a dimensão do evento futuro. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_Caos)
Este fato desmonta toda previsão relacionada ao universo físico, material, que iludiu e encantou o pensamento analítico clássico e cartesiano.
Tal como sinalizado acima, até a década de 1980, os físicos defendiam a tese de que o universo era governado por leis precisas e estáticas e, portanto, os eventos nele ocorridos poderiam ser previstos. Porém, a Teoria do Caos mostrou que, certos eventos universais, podem ter ocorrido de modo aleatório, isto é, sem relação com os demais eventos observados. Do mesmo modo, quando se estuda a Teoria do Caos, os pesquisadores se deparam com o imprevisível em todos os momentos e em todas as partes do desenvolvimento teórico.
A visão determinista direcionada ao Universo, tal como se fazia antes de 1980, perdeu-se no Infinito de Sua sabedoria. Nós, humanos, não alcançamos o Infinito, apenas existimos entre o provável e o desconhecido. Não alcançamos o Mistério de Seus desígnios...
Um exemplo interessante de sistema caótico são as previsões meteorológicas, em especial a formação de tempestades, onde qualquer pequena alteração, direção, velocidade dos ventos, por exemplo, pode provocar grandes mudanças, na medida em que o tempo avança. O matemático Lorenz chamou este fato de Efeito Borboleta, isto é, se uma borboleta batesse asas na Ásia, poderia provocar uma tormenta na América Central em algumas semanas. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_Caos)
Esta representação da realidade demonstra a impossibilidade de uma previsão meteorológica perfeita. Neste caso, o determinismo dos sitemas lineares passa a não funcionar, pois, para se ter uma previsão meteorológica precisa, os dados a serem considerados, além de serem infinitos, deveriam possuir precisão infinita, sendo processados em máquinas com memória e capacidade de processamento infinitos. Como o Infinito não nos pertence...
Tal fato sugere a existência de certas singularidades entre os sistemas, cuja lógica interna não pode ser transferida para os demais aparentemente semelhantes, isto é, o modo como os seus elementos se relacionam é único e intransferível, existindo apenas em dado momento e lugar.
Avançando um pouco mais, poder-se-ia dizer que o universo físico é cheio de surpresas a destronar, seguidamente, a ilusão do previsível. Até o momento, os princípios que regem a Física Clássica, a Relatividade Geral e a Física Quântica, não podem ser transferidos de uma para outra. São, portanto, várias e diferentes Físicas, diferentes representações a descrever o real, embora, cada uma, possua lógica interna permitindo que a razão possa falar sobre seus paradigmas. Os fenômenos físicos são claros, existindo ao mesmo tempo em todos os lugares, convivendo na natureza em aparente harmonia, mas, mesmo assim, segundo princípios diferentes.
No universo da alma, da cultura, parece que a ilusão gosta de reduzir diferentes realidades a apenas um aspecto da verdade, eliminando as interpretações que a contradizem. Observa-se este fato, seja na Filosofia, seja na Antropologia, seja na Psicologia, seja onde houver o pensamento a interpretar realidades, a construir teorias.
Freud talvez seja um bom exemplo de contradição interna a existir em sua obra. Depois de se ler os seus 23 volumes, de se folhear seus comentadores, de se seguir as reflexões que o próprio Freud fez de sua construção teórico-clínica, fica-se diante de, pelo menos, três Freud diferentes na lógica de suas interpretações sobre as questões da alma, da mente humana.
Claramente, a racionalidade de cada Freud não pode ser transferida para os outros dois, se o foco da observação for direcionado para a relação entre os elementos a organizar a estrutura da teoria. Elementos que recebem o mesmo nome ao longo da obra, tal como, pulsão, angústia e recalque, cuja relação é alterada em cada teoria, bem como a descrição do que seja inconsciente, que desliza entre substantivo e adjetivo no seu significado.
Feud alterou diversas vezes o arranjo entre os conceitos de sua teoria. Em ocasiões diferentes, ora afirmou que o pensamento superaria a emoção, no caso a angústia, ora dependeria da intensidade desta. Em dado momento, refez a interpretação de seus casos clínicos, adaptando-os à sua mais recente "possibilidade". Dizer que Freud disse algo, seria preciso, antes, localizar a que princípios teóricos o dado Freud estaria fundamentado, seria preciso contextualizar a palavra freudiana no interior da possibilidade por ele escolhida.
Na verdade, o fenômeno da neurose sempre esteve diante de Freud do mesmo modo em seus sintomas. O que mudou foi o arranjo teórico, isto é, mudando os princípios, a lógica de cada arranjo tornou-se diferente. Ao interpretar o que via em seus pacientes, alterou o significado de inconsciente, pulsão, recalque e angústia, na medida em que percebia relações diferentes entre estes significantes. Além disso, noção de cura é diferente em cada Freud, cujo conceito escorrega entre a possibilidade e a impossibilidade.
Portanto, na tentativa de interpretar a realidade psíquica do sujeito, a teoria freudiana percorreu um caminho interessante, transitando pelo pensamento analítico e na previsibilidade dos sistemas lineares e, finalmente, aportando no pensamento estrutural e na incerteza dos sistemas não lineares. São modos bastante diferentes de se pensar o real, de simbolizá-lo, de teorizá-lo.
Se acrescentarmos outros psicoterapeutas, como Jung, Adler, Reich, Maslow, Rogers, Skinner, Moreno, além de outros gênios, estaremos diante de diferentes faces da mesma neurose, na medida em que, cada um deles, enfatizou um aspecto diferente, ou a interpretou de modo diferente, resultando em processos de tratamento diferentes. De qualquer forma, todos afirmam que a relação terapêutica, isto é, o que se passa entre o paciente e o psicoterapeuta, é o fundamento principal de suas técnicas.
É provável que a relação terapêutica seja o fundamento de todo e qualquer tratamento psicoterápico, independentemente das técnicas adotadas. Se assim for, as técnicas descritas por tais gênios são muito pessoais, dificultando a transmissão do conhecimento e da experiência.
A afirmação de que uma técnica psicoterápica é mais efetiva do que outra faz parte do universo do pensamento linear reducionista, que exclui o contraditório, o diferente, na medida em que, reduzindo as possibilidades de percepção da realidade, generaliza o que vê. Como o nome diz, a relação terapêutica parece ser, estruturalmente falando, o centro de gravidade de todo e qualquer tratamento psicoterápico, não a técnica propriamente dita.
Se existem muitas relações com a verdade, ou interpretações do real, uma para cada sujeito; se cada “olhar” altera a experiência, tal como na física quântica, na qual a existência de onda, ou de partícula, depende do olhar do observador; se não alcançamos a Sua lógica; talvez seja prudente não se afirmar possuir a resposta final.
No universo não linear, são inúmeras singularidades que se inter-relacionam. Se não podemos entender cada elemento do sistema e cartesianamente deduzir o todo; se o olhar precisa deslocar-se para as interações entre estes elementos, para as interações entre o observador e o observado, que se alternam e se modificam a cada instante; se, ao se considerar tais relações, o todo é, ao mesmo tempo, maior e menor que a soma de suas partes; se isto acontece no universo físico e no da cultura, paraíso da linguagem e da fantasia; o que dizer do real, da realidade percebida, das teorias sobre o que está diante de nós?
Kandel, neuro-cientista de renome premiado com o Nobel, comenta que se sabe quase tudo sobre a memória, exceto como ocorre o processo de sua evocação. Para ele, a consciência ainda não pode ser teorizada pela ciência, na medida em que seus processos ainda não estão claros. Sugere que, com o tempo, as resposta ocorrerão certamente. No entanto, esta última afirmação pode estar imersa no seu desejo de cientista, na sua crença no poder da ciência, no ancorar-se no imaginário poder da razão, que tudo explica. Freud também sugeriu tal possibilidade ao tropeçar em momentos de recaída platônico-cartesiana.
Assim, diante de tal incerteza, a Psicologia não pode afirmar o que sabe sobre a mente humana, apenas podendo teorizá-la e se arriscar a sugerir alguns caminhos para o tratamento psicoterápico.
No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) associa-se à tese de Kandel, eliminando toda e qualquer possibilidade de se atribuir uma condição de intangibilidade à mente. Assim sendo, todas as teorias aceitas pela ciência psicológica brasileira afirmam que a mente depende do cérebro, isto é, a mente não existiria sem tal base orgânica. O curioso é que a neuro-ciência ainda não tem resposta para o que seja a consciência, portanto, nada sabe sobre a mente além do que vê em seus laboratórios. Tudo indica que esta percepção materialista sobre a mente tende a se modificar, a se libertar das amarras racionalistas, que se ancoram em um “talvez”, que elimina os demais “talvez”.
Em 2000, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconheceu a Hipnose como ferramenta possível para o processo psicoterápico. Como se sabe, a Hipnose transita por universos situados além da razão, nos quais o sujeito submetido a este processo supera esquecimentos, dores crônicas, medos irracionais, além de controlar, objetivamente, o funcionamento do organismo, como a temperatura do corpo, o batimento cardíaco e a atividade cerebral. Diante disso, cabe a pergunta linear acerca do que vem primeiro, se o corpo, ou se a mente.
A American Psycological Association (APA) superou esse impasse ao admitir a intangibilidade da mente, em sua Seção 30, que trata da Hipnose e de sua prática clínica. Lá, descobre-se que este processo pode ser interpretado por diferentes Teorias Psicológicas, inclusive pela Psicologia Transpessoal, que admite a anterioridade da mente em relação ao cérebro, isto é, admite que a mente sobreviva à morte física e se encarne, a seguir, em outro corpo físico.
Assim, as angústias, culpas, medos e traumas do paciente poderiam ter origem em outras vidas além da atual. Este não seria um fato religioso, na medida em que não se pretende justificar tal fenômeno, mas considerá-lo no processo de tratamento psicoterápico como mais um “talvez”.
Diante da impossibilidade da ciência materialista explicar a consciência, explicar como se evoca a memória, além de curiosidades, como explicar o controle da mente sobre o sistema nervoso autônomo, a “muralha racionalista” parece ceder e duvidar ao admitir a Hipnose como fato científico ainda não explicado.
A Universidade Stanford (USA) estudou a Hipnose entre 1959 e 1979, aplicando os conceitos de ciência ao pesquisá-la, não chegando, como seria de se esperar, a qualquer conclusão objetiva. Apenas sistematizou alguns aspectos sobre a sensibilidade natural das pessoas ao serem submetidas ao processo, deixando larga passagem para inúmeros “talvez”.
Aplicando-se a Hipnose no processo psicoterápico, percebe-se que a memória parece não ser linear, isto é, o que lembramos não seria, de fato, o que aconteceu, embora esteja relacionado com o sofrimento presente. O processo de rememoração funcionaria como se diferentes episódios se condensassem numa mesma imagem, todas regidas pelo mesmo sentimento (intangível), pela mesma sensação (tangível) e mesma representação simbólica existentes no presente da mente.
Ao se lembrar, a expectativa de futuro e as experiências presentes do paciente transformam o seu passado, isto é, o significado deste passado, mesmo que lembrado em imagens condensadas. Assim, a mente ressignifica o passado, altera o presente e abre as possibilidades sobre o futuro, num vai-e-vem interminável.
Ocorre que, durante o processo psicoterápico com Hipnose, alguns pacientes lembram-se de cenas típicas de séculos passados, sentindo como se lá estivessem. Aquela poderia ser uma imagem condensada de vários acontecimentos semelhantes, em várias vidas, nos quais o mesmo sentimento predominava. A Psicologia Transpessoal escolheu esta interpretação possível, não descartando a possibilidade de um leque de opções interpretativas, dentre as quais estariam a lembrança de vidas passadas condensadas ou não, fantasias e sonhos condensados ou não, mentiras intencionais, etc. De qualquer forma, cada interpretação estaria regida por princípios e lógicas diferentes a tratar o mesmo fenômeno clínico observado, isto é, alguém se lembrando de outras vidas.
Assim, quando se afirma que não há reencarnação é preciso dizer que princípios fundamentam tal afirmação. Do mesmo modo, o inverso precisa ser tratado, isto é, que haveria reencarnação. São planos de imanência diferentes, humanos, não havendo Transcendência que resolva a contradição.
Do ponto de vista da psicoterapia, a lembrança funciona do mesmo modo, isto é, descreve uma possível origem para os males presentes, atribuindo-lhes um sentido, uma explicação. Ao elaborar tal lembrança e ressignificar a explicação para o presente, a cadeia associativa se altera e muda este presente, abrindo diferentes possibilidades para o futuro. Portanto, não se trata de crença religiosa a assolar a alma do psicoterapeuta, mas do reconhecimento de que diferentes pacientes acreditam na reencarnação, mesmo que não haja fundo religioso nesta interpretação da natureza da mente.
Finalmente, afirmar a impossibilidade da Mente existir além do cérebro seria aprisionar-se no materialismo do século XIX, que desconhecia a possibilidade de algo ser e não ser ao mesmo tempo, tal como ocorre com a partícula, que ora parece onda, ora parece matéria. Portanto, tal como o fenômeno observado na Física Quântica, ser a Mente um subproduto do cérebro, ou ser algo além, que o controla, depende de quem "observa", isto é, ora pode ser um, ora pode ser outro.
Como já foi largamente debatido, não se pode eliminar uma das faces da mesma moeda, sob pena de mergulharmos no preconceito e na exclusão do diferente. Melhor seria aceitar que a possibilidade depende da escolha do observador, que lhe dá brilho, cor, calor e sabor.
Se um avião voa, ou se uma ponte não cai, não é que tenhamos "escolhido" esta possibilidade, foram os cálculos de engenharia, que possibilitaram o fenômeno. Mas, se um paciente sofre, não há cálculo matemático que explique o fenômeno. É preciso "escolher" uma possibilidade e "descobrir" a causa, talvez escondida em outras possibilidades. São as incertezas das Ciências Humanas.
Penso ser mais inteligente cuidar da ética e deixar a "estética" do tratamento seguir a possibilidade percebida pelo psicoterapeuta e pelo paciente.